CRÔNICA: Veste a domingueira e vamos ao cinema!

Claudius Brito – Em algum lugar do passado, quando não havia internet, celular, streaming e outras diversões tech, tínhamos de buscar as formas de diversão que havia na época. E, claro, uma delas era o cinema.

E o costume era as sessões de domingo. Em Anápolis, tinha-se quatro cinemas: o Vera Cruz, Roxy, o Santana e o Santa Maria.

Cada qual teve o seu tempo de “badalação”. Mas era quase que um ritual: chegava domingo à tarde, era vestir a roupa “domingueira” e sair ao encontro da sétima arte.

Nem tudo, às vezes, saia como o planejado. Certa feita, estava eu indo para o Vera Cruz, com aquela vestimenta adequada do dia. Havia chovido um pouco antes e, ao passar pela Rua 7 de Setembro, já perto da chegada ao cine, um carro veio e, propositalmente, passou em uma poça d´água e molhou a minha domingueira. Tive de voltar para casa e não dava mais tempo de voltar para o cinema. Frustração!

Mas, na maioria das vezes, a diversão era garantida. Íamos sempre uma pequena turma, três ou quatro amigos. As luzes se apagavam e a gente ficava rodando que nem barata tonta a sala, em busca do melhor lugar. Quem sabe, com alguma sorte, perto das meninas.

Naquela época, tinha-se a figura do “lanterninha”, que se fazia de guia e era também uma espécie de fiscal para manter a ordem. Ele não gostava muito que ficássemos rodando na sala e, às vezes, nos advertia que poderia nos colocar para fora. Mas, isso nunca chegou a acontecer.

É hora do filme. Vai começar…! Não nessa ordem cronológica, mas algumas películas ficaram marcadas na memória.

Uma delas, o filme “The Champ”, a história de um lutador de boxe que que teve glórias no passado e, anos depois, lutava para criar o filho. Num desafio posterior ele, que era chamado pelo filho pequeno de The Champ, perdeu a vida. O final foi emocionante e muita gente saía do cinema antes de as luzes serem acesas, para não ser vistas chorando.

Por outro lado, tinha também aquele filme descolado, como o “Grease”, protagonizado por John Travolta e Olívia Newton John. Juntos, eles faziam o par romântico do filme, um misto de musical, romance e comédia.

Grease tinha o subtítulo de “Nos tempos da Brilhantina”. Para quem não sabe, um gel para cabelo muito usado pelos jovens para ajeitar os “topetes”.

O filme tinha uma ótima trilha sonora e, entre os sucessos, estavam” “You’re The One That I Want”, “Summer Nights”. Música divertida, dançante e leve.

Na telona, também tinha terror na água. Fez muito sucesso o clássico “Jaws”, ou seja, o “Tubarão”, dirigido pelo famoso diretor Steven Spielberg. A música de suspense quando o tubarão estava prestes a atacar era marcante. E, também, combinada, a cena das pessoas com as pernas dentro d´água, prestes a uma mordida fatal. Na hora que acontecia um ataque, muita gente gritava dentro da sala.

A lista de filmes é enorme, mas não dá para finalizar sem um de meus favoritos: “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, também dirigido por Spielberg, cujo enredo é focado numa onda de aparições de Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs), até um encontro perto de uma montanha conhecida como “Torre do Diabo”, no estado de Wyoming, nos Estados Unidos.

Claro que tudo isso é ficção, mas foi tão perfeito o encontro- aliás, como todo filme- que muita gente ficou mesmo na dúvida que ainda hoje persiste: “Estamos sozinhos no universo?”

No encontro, cercado pelo mistério do Exército, a comunicação se deu por uma variante sequencial de cinco notas musicais misturadas com luzes, cujo ritmo ditavam o “diálogo” entre a nave mãe e o terráqueos. No fim, um garotinho que era um dos personagens centrais da história, parte com a nave.

FIM! Hora de voltar para casa, tirar a domingueira e pensar no dia que se passou com a emoção da telona.

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