Claudius Brito – No dia 9 de novembro de 1976, Anápolis recebia um dos principais marcos do seu desenvolvimento: o Distrito Agro Industrial (DAIA). O evento foi concorrido e teve as presenças do então presidente da República, Ernesto Geisel; do governador à época, Irapuan Costa Júnior; e do então prefeito Jamel Cecílio.
Ao lado dessas duas e de várias outras autoridades políticas presentes, lideranças da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA) e de outras entidades de classe, descerraram a placa da inauguração.
E com festa, por se tratar de uma conquista forjada no trabalho das lideranças políticas e empresariais que empregaram esforços em materializar o que, então, era um sonho.
Uma inauguração importante não apenas para o município, mas para o Estado de Goiás, que teve a partir dali um ponta-pé importante na sua política de industrialização. Uma virada de chave, já que até então o estado pouco agregava de valor à sua produção.
De meados da década de 1970 até meados da década de 1980, entretanto, o DAIA teve um caminho difícil para começar o seu “povoamento” com empresas.
Entre os pioneiros no DAIA estavam a Cemina, fabricante de produtos cerâmicos; a Precon, produtora de artefatos de cimento e, ainda, o Centro de Gemologia do Estado de Goiás, cuja atuação era no setor de pedras e mineração, além de ser também um formador de mão-de-obra nesse segmento.
O impulso ao DAIA, que chegou a ser taxado de “elefante branco”, um termo que se referia a grandes obras inacabadas ou que não saiam do papel, veio a partir dos programas de incentivos fiscais. Primeiro o Fomentar, na gestão do então governador Iris Rezende e, depois, o Produzir, na gestão do então governador Marconi Perillo.
Esses programas foram engrenagens fundamentais para a consolidação do Distrito e, na sequência de governos, essas ferramentas foram aprimoradas e adequadas à realidade do ambiente de negócios.
Uma jornada longa e que, este ano, completa cinco décadas. Ou seja, o DAIA chega a 50 anos de fundação e celebra sua Boda de Ouro.
Semana do DAIA
E, agora, recentemente, no ano do cinquentenário, começou a vigorar a Lei Municipal nº 4.587/1026, que institui a Semana de Valorização do Distrito Agro Industrial de Anápolis.
Essa lei é originária de um projeto que foi apresentado na Câmara Municipal pelo vereador Ananias Júnior e que teve aprovação unânime da Casa de Leis.
As comemorações vão ocorrer na semana do dia 9 de novembro, a partir de agora, todos os anos, com o intuito de celebrar a criação do DAIA, além de homenagear trabalhadores, empresários e empresas que contribuem com a geração de emprego, renda e o desenvolvimento proporcionado por todos através do DAIA.
Além disso, a Semana do DAIA será também um momento para a promoção de debates em torno das demandas e desafios do Distrito Agro Industrial. E, diga-se de passagem, não são poucos.
Um deles é que daqui a poucos anos, a chamada “guerra fiscal”, por meio de incentivos fiscais, deixará de existir e os municípios industrializados, como Anápolis, terão que ir à “guerra” para atrair novas indústrias e investimentos.
A Semana do DAIA do cinquentenário, portanto, já é um bom caminho para o alinhamento de projetos e estratégias futuras de desenvolvimento industrial no município e em Goiás.
Leia ainda: Sintonia no mutirão de Daniel Vilela com Márcio Corrêa

