Onde parte da história começou, Base Aérea celebra 54 anos em Anápolis

Claudius Brito – Foi na Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA), o local que funcionou como uma espécie de primeira “casa” da Base Aérea. Foi de lá que, certamente, muitas decisões e muitos despachos ocorreram para sacramentar a instalação daquela que é considerada atualmente a unidade mais operacional da Força Aérea Brasileira (FAB).

E, ao completar 54 anos em Anápolis, a ACIA tomou parte dessa comemoração, durante reunião ocorrida na noite da última quarta-feira (15), capitaneada pelo presidente Luiz Cláudio Ledra e pelo comandante da BAAN, tenente-coronel aviador André Navarro de Lima Guimarães.

O ex-presidente da Casa do Empresário, Anastácios Apóstolos Dágios, lembrou que parte das terras da Base Aérea foram doadas pela família do professor João Asmar, ex-integrante da entidade que com cerca de 90 anos, ainda subia escadas para frequentar as reuniões.

Ainda, lembrou a saga do ex-presidente Mounir Naoum, que era presidente quando estava em curso o projeto de implantação da unidade da Força Aérea em território anapolino.

Segundo narrou, Mounir ia com frequência à Brasília cobrar as autoridades e, com isso, evitar que a Base Aérea fosse para alguma outra localidade.

Asmar foi alçado à condição de Jaguar Honorário. Ele faleceu em 2020, aos 97 anos de idade. Naoum também tornou-se Jaguar Honorário e teve o privilégio de ser um dos poucos civis a voar em um supersônico Mirage III. Ele faleceu em 2024, aos 94 anos de idade.

Esse é um pedaço da história. Mas, o presente também importa e, nesse sentido, o tenente-coronel Navarro contribuiu mostrando um pouco do que é a grandeza da BAAN, localizada estrategicamente no coração do país, numa área de 16,4 quilômetros quadrados, obviamente, muito bem resguardada, sobretudo, nas áreas operacionais.

O Brasil possui 19 bases aéreas. A de Anápolis, segundo o comandante, já nasceu com o propósito de cuidar do espaço aéreo brasileiro, no Planalto Central, onde está a capital do país, Brasília-DF.

Atualmente, a BAAN tem um efetivo de 1.900 militares da aeronáutica. Somado com o pessoal da ativa e mais os veteranos, são cerca de 3,2 mil pessoas. A unidade possui uma Prefeitura, que cuida de cerca de 600 imóveis.

Dentro da Base, há um hospital que tem cerca de 7 mil beneficiários. A folha mensal movimenta na economia local, algo próximo de R$ 30 milhões. O patrimônio da BAAN é estimado em cerca de R$ 5,1 bilhões, conforme dados apresentados na reunião com os empresários.

Unidades

A Base Aérea de Anápolis- Campo Marechal Márcio de Souza e Melo- opera com as seguintes unidades: 1º GDA- Grupo de Defesa Aérea, com os caças F-39 Gripen (Esquadrão Jaguar); – o 2º/6º GAV- Segundo Esquadrão do Sexto Grupo de Aviação, com as aeronaves R-99 que integram o programa de defesa da Amazônia; – 1º GTT- Grupo de Transporte de Tropa, também denominado Esquadrão Zeus, que opera com os gigantes KC-390 Millenium; 1º/6º GAV- Esquadrão Carcará.

A BAAN também incorporou um Grupo de Artilharia Antiaérea.

Para além da estrutura física e operacional, a Base Aérea de Anápolis tem entrelaçamento com a cidade através de várias formas. Um deles é o Programa Forças no Esporte, que é realizado em parceria com a Prefeitura Municipal e que atende em torno de 500 estudantes e adolescentes.

A BAAN também realiza anualmente o tradicional Portões Abertos, evento que atrai milhares de pessoas, inclusive, de outros estados e até de outros países.

No ano passado, por conta de entraves burocráticos no processo licitatório, o evento não se realizou, mas a intenção e que retorne esse ano e, para isso, o comandante buscou apoio da ACIA.

Iniciativas outras estão se construindo, para preparar o empresariado local a participarem dos certames da Força Aérea e sejam, fornecedores ou prestadores de serviço da unidade.

Enfim, é mais um capítulo da história que começa a ser escrita e que venham muitas e muitas páginas pela frente.

Um resumo da história

A Base Aérea de Anápolis começou a ser projetada no final da década de 60. Estudos realizados à época pelo Sistema de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Sisdacta), apontaram que o Município reunia condições necessárias – principalmente climáticas – para a implantação da unidade da aeronáutica.

A construção do complexo aeronáutico começou em nove de fevereiro de 1972. Em março daquele ano, na França, era realizado o primeiro voo do Mirage com o cocar da Força Aérea Brasileira.

No mês de maio, oito pilotos brasileiros foram para Dijon participar dos treinamentos visando adaptação às aeronaves recém-adquiridas e ficaram conhecidos como os “Dijon Boys”.

Em 27 de março de 1973, foi realizado em Anápolis o primeiro voo do supersônico F-103 Mirage, fato que oficialmente deu início às atividades da 1ª. Ala de Defesa Aérea (1ª. Alada). Mais tarde, ela foi transformada no 1º Grupo de Defesa Aérea (GDA), também denominado Grupo Jaguar.

A partir de julho de 2002, a Base Aérea de Anápolis passou, também, a sediar o 2º e 6º Grupo de Aviação, integrantes do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), com as modernas aeronaves R99-A e R99-B, equipadas com radares e equipamentos de sensoriamento remoto.

KC-390 e Gripen

No dia 04 de setembro de 2019, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, esteve em Anápolis participando da solenidade de incorporação do KC-390 Millenium à Ala 2.

No dia 29 de novembro de 2022, 50 anos após a chegada do primeiro Mirage, a Base Aérea de Anápolis registrou, pela primeira vez, o pouso das duas primeiras unidades operacionais do F-39 Gripen, o FAB 4103 e o FAB 4104.

Essas duas aeronaves chegaram ao Brasil no dia 25 de setembro de 2022 e foram desembarcadas de um navio vindo da Suécia, no Porto de Navegantes, em Santa Catarina. De lá, elas foram transportadas para ao Centro de Ensaios em Voo do Gripen (Gripen Flight and Test Centre – GFTC), na planta da Embraer, em Gavião Peixoto (SP).

Em solenidade realizada no dia 19 de dezembro de 2022, os caças F-39 Gripen matrículas 4103 e 4104 fizeram, oficialmente, o primeiro voo operacional na Base Aérea de Anápolis (BAAN).

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