Claudius Brito – O Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, tem um significado especial para Anápolis. Afinal, não há como falar de indústria, em Goiás, sem que a cidade esteja inserida no contexto, sobretudo, com a criação e a consolidação do DAIA, que este ano completa 50 anos de fundação.
Mas, a política de industrialização de Goiás veio bem antes de as primeiras indústrias se instalarem no distrito industrial anapolino.
Durante o governo de Mauro Borges (1961 a 1964), foi criado o Plano de Desenvolvimento de Goiás (PDEG), também conhecido por Plano MB, que era inspirado no Plano de Metas do, então, Presidente Juscelino Kubitscheck.
Foi dentro desse planejamento, que o Governo da época começou a criar órgãos e secretaria vinculados, de alguma forma, à plataforma de desenvolvimento econômico e modernização do Estado.
A política para a construção de distritos agroindustriais em Goiás teve o seu ápice no ano de 1973, no governo de Leonino di Ramos Caiado, com o advento da Lei nº 7.700 que previa isenções de impostos e criava a Superintendência de Distritos e Áreas Industriais, que ficaria responsável por escolher os locais e dotar de infraestrutura necessária para acolher as plantas industriais.
Anápolis – que desde o início de sua história já tinha forte vocação comercial – acabou sendo estrategicamente escolhida para abrigar um polo industrial, sobretudo, por sua localização, entre duas capitais (Goiânia e Brasília); por estar no centro do País e ser servida por três rodovias federais – BRs 153, 060 e 414 – facilitando o escoamento da produção de Norte a Sul do País.
Além disso, a Cidade foi pioneira ao receber a primeira escola de formação profissional para a indústria do SENAI (em 1952) fora do eixo Rio/São Paulo.
No dia 09 de novembro de 1976, com as presenças do então Governador de Goiás, Irapuan Costa Júnior e do então Presidente da República, General Ernesto Geisel, era inaugurado o Distrito Agro Industrial de Anápolis (DAIA), um marco no processo de industrialização de Goiás, cuja economia tinha um perfil meramente comercial e agropecuário.
Crescimento
Após a sua inauguração, o DAIA passou por um período de dificuldades, já que a área, a infraestrutura oferecida, a localização geográfica privilegiada do Município e a política de incentivos não eram, ainda, elementos que, por si só, atraíssem os investimentos tirando o foco da região Centro-Sul do País.
A partir de meados da década de 80, o governo goiano, na gestão de Íris Rezende Machado, adotou uma política mais agressiva de incentivos fiscais, a partir da Lei nº 9489, de 19 de julho de 1984, que criou o Fundo de Fomento à Industrialização (FOMENTAR), que substituiu o Fundo de Expansão da Indústria e Comércio (FEINCOM), oriundo da lei nº 7.700.
Depois veio o PRODUZIR (Lei nº 13.591, de 18 de janeiro de 2000), dando uma repaginada na política de incentivos fiscais, com o intuito de oferecer mais competitividade ao Estado na busca de investimentos para a geração de empregos, rendas e divisas.
Estação Aduaneira e Polo Farmacêutico
A história do DAIA tem alguns marcos importantes, dentre eles a implantação do Porto Seco, em 1999. Foi a primeira estação aduaneira interior (Eadi) da região Centro Oeste, criado por meio de concorrência pública e licenciado ao grupo empresarial vencedor do certame para a prestação de serviços aduaneiros.
A partir de então, a economia de Anápolis e de Goiás projetou um novo cenário com o aumento da exportação e da importação de produtos.
Outro marco foi a implantação do Polo Farmacêutico, que ocorreu pouco tempo depois da vigência da Lei 9.787, a chamada Lei dos Genéricos.
Através de uma política fiscal setorizada, o Estado de Goiás atraiu mais de duas dezenas de indústrias e, hoje, Anápolis é considerado o segundo município brasileiro maior produtor de medicamentos genéricos e o terceiro maior produtor de remédios em geral do País, abrigando plantas como as dos grupos Hypermarcas e Teuto/ Pfizer, que estão entre as maiores da América Latina.
No ano de 2007, o DAIA recebeu a primeira planta automotiva, com a implantação da CAOA, ligada à marca sul-coreana Hyundai.
Desafios
O DAIA, hoje, com cerca de 170 empresas em funcionamento, emprega quase 30 mil trabalhadores. É o maior dos 34 distritos industriais administrados pela Companhia de Desenvolvimento do Estado de Goiás (CODEGO).
O setor industrial de Anápolis, assim como de Goiás e do Brasil, tem como um dos desafios à frente o fim da chamada “guerra fiscal”. Com isso, os municípios e estados industrializados terão de buscar novos mecanismos para atrair investimentos.
Além disso, a indústria vive um momento transformador também com as novas tecnologias, inovações mudanças no ambiente de negócios do mundo globalizado.
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