Especial Centro de Anápolis. CDL mostra realidade do fechamento de comércios

Claudius Brito – Até a alguns anos atrás, boa parte da população de Anápolis que necessitava de fazer compras ou buscar serviços diversos, como os bancários, por exemplo, era direcionada para a região central.

Com centenas de portas abertas nos setores atacadista e varejista, o Centro de Anápolis, pode-se dizer, viveu momentos de ouro e foi um pilar importante da economia do município.

Não que ainda não seja importante, mas uma parte desse protagonismo se apagou com os problemas que começaram a impactar os empresários: alta carga tributária, burocracia, migração de consumidores para os shoppings em busca de mais comodidade, lazer e segurança.

Além da chegada do comércio eletrônico, que permite aos consumidores fazerem suas compras de um aparelho celular, sem sair de casa.

No último dia 5/8, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Anápolis reuniu empresários do setor, imprensa, poder público e outras entidades como a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB- Anápolis), Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA), Sindicato do Comércio Varejista de Anápolis (Sincovan), entre outras representações, justamente, com o objetivo de debater caminhos, alternativas, projetos para revitalizar ou requalificar o Centro de Anápolis.

Durante a reunião, o presidente da CDL Anápolis, Luiz Miguel, apresentou uma estatística estarrecedora e que mostra um lado da situação que se tem na região central de Anápolis, nos dias de hoje.

Antes dos números serem apresentados, foi exibido um vídeo gravado no dia anterior à reunião, feito nas ruas centrais. Muitas portas de comércios fechada, pouca gente se movimentando entre as lojas.

Fez lembrar o período da pandemia, quando eram decretados os lockdowns, que paralisavam o funcionamento de diversas atividades para impedir maior transmissão do coronavírus e, com isso, boa parte dos estabelecimentos eram fechados e as ruas ficavam praticamente desertas.

Entretanto, as imagens são do presente, em dia de semana, quando a movimentação deveria ser grande. Essa movimentação, entretanto, ainda ocorre por conta das chamadas lojas âncoras que estão concentradas, em grande parte, na Rua Engenheiro Portela.

Contudo, também para os comércios desse logradouro, nem tudo são flores, porque o espaço é dividido com o comércio ambulante que toma as calçadas e, muitas vezes, até, dificulta uma boa locomoção das pessoas.

Imagens tristes como essa, estão espalhadas no Centro

Portas fechadas

Mas, em relação aos números, quando a atual gestão da CDL se iniciou, em janeiro desse ano, foi realizado um levantamento de identificou 172 portas de lojas fechadas no Centro. Em março, nova contagem apontou 201 e agora, no mês de junho, o número saltou para 252. De janeiro a junho, um acréscimo de 32%.

Diante a constatação, o presidente da CDL fez uma analogia dizendo que o comércio central está “sangrando” e que algo precisa ser feito logo para estancar essa “hemorragia”.

Propostas

Ao logo do encontro, vários participantes apresentaram sugestões aos projetos que já estão sendo trabalhados pela própria CDL e pelo poder público municipal.

O empresário Air Ganzarolli, que foi gerente nas Casas Pernambucanas e atua com comércio há cinco décadas no Centro de Anápolis e é, também, presidente do Sincovan, destacou a necessidade de um programa para melhoria dos calçamentos públicos e atração das pessoas de outras cidades para o comércio local.

O presidente da OAB Anápolis registrou que os empresários devem estar preparados para um novo desafio: a reforma tributária. A cidade vai precisar vender mais se quiser arrecadas mais, no novo modelo tributário do país.

O jornalista e ecologista Odilon Alves, apresentou um projeto para a revitalização do Córrego João Cesário, lembrando que as atuações no meio ambiente são também importantes para o desenvolvimento da cidade.

Empreendedor no setor cartorário, Marcos Rafael Martin destacou a necessidade campanhas de conscientização por uma cidade limpa, implantação de placas de orientação turísticas, políticas de estímulos fiscais para o setor construtivo para incentivas projetos habitacionais na região.

O empresário do setor imobiliário, João Soares, trouxe para a reunião a lembrança de que, num passado não muito distante, quando um comerciante deixava um determinado imóvel, o mesmo tinha a chamada “luva”, que era uma espécie de garantia para outro empresário ocupar.

História

O historiador Jairo Leite complementou afirmando que o Centro é carregado de história. Ele defendeu projetos para implantação na antiga estação ferroviária, de um museu para retratar a história dos imigrantes e da própria ferrovia. Além do resgate de uma sala de cinema que poderia abrigar um museu de som e imagem, trazendo em seu acervo, por exemplo, a passagem de famosas atrizes norte-americanas.

Enfim, é um debate amplo, que envolve iniciativas dos empresários, das representações de classe, do poder público para fazer esse resgate econômico, histórico e social do Centro. Há muito caminho para se percorrer, mas como reza o dito popular: toda grande caminhada começa com o primeiro passo.

Encontro na CDl Anápolis teve representações
de diversos segmentos organizados e da Prefeitura

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