Anápolis já se preparar para atrair novos investimentos no pós-guerra fiscal

Claudius Brito – A política industrial de Goiás para atração de investimentos, por várias décadas, se sustentou na oferta de incentivos fiscais.

Não só Goiás, aliás, mas outras unidades da federação se utilizam desse mecanismo para fomentar a geração de emprego, renda e divisas, abrindo mão de uma parte de impostos a recolher, sobretudo, o ICMS.

Entretanto, a reforma tributária traz no seu bojo um elemento que vai virar a chave desse processo, ao acabar com a chamada “guerra fiscal”. Isso porque o modelo de tributação vigente está mudando de forma gradativa, com a substituição de cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Diante o cenário que se projeta para um futuro breve, estados e municípios terão de buscar novas alternativas ao fim dos incentivos fiscais.

E, dentro desse contexto, Anápolis deve ter uma atenção especial, dado ao fato de que o município possui um dos maiores e mais bem estruturados polos fabris do interior brasileiro.

O Distrito Agro Industrial de Anápolis (DAIA), que está completando 50 anos agora em 2026, surgiu e se fortaleceu no front da “guerra fiscal” e foi (e ainda é), certamente, a principal engrenagem do desenvolvimento industrial de Goiás.

Porém, de alguns anos para cá, o DAIA teve uma pisada no freio no que se refere à instalação de grandes indústrias, por motivos diversos.

Agora, o Distrito começa a entrar numa nova fase e essa nova fase tem muito a ver com essa virada de chave da reforma tributária. E, uma das apostas é o DaiaPlam, que é uma extensão do DAIA numa área que seria destinada ao projeto de implantação da Plataforma Logística Multimodal.

Nesta semana, a Companhia de Desenvolvimento do Estado de Goiás, a CODEGO, empresa de economia mista que é responsável por implantar e manter os distritos industriais do Estado, lançou um novo edital para o DaiaPlam.

O atual presidente da Companhia, o empresário anapolino Luiz Antônio de Oliveira Rosa, concedeu entrevista ao CONTEXTO/M1 Notícias para falar sobre esse novo edital e as perspectivas da retomada do desenvolvimento industrial em Anápolis.

Luiz Antônio Rosa, presidente da CODEGO

CONFIRA A ENTREVISTA

CONTEXTO/M1 NOTÍCIAS- Presidente, a CODEGO lançou um novo edital, do DaiaPlam. O que é esse edital e, em relação aos dois outros que já foram lançados, qual o diferencial que vem agora?

LUIZ ROSA- Ao criarmos esse novo edital para o DaiaPlam, a primeira novidade que trouxemos é o alongamento de sua validade. Ele é um edital de 12 meses. Esse edital também vem com mais possibilidades de subsídio maior para as empresas, para podermos ofertar redução considerável do custo.

A infraestrutura já existe dentro do Daiplan, a antiga plataforma multimodal, é uma estrutura que já está regularizada, então a gente frisa muito bem isso.

Antigamente, na última emissão desse digital, isso não ficou muito claro para os empresários, ou seja, que se tratava de uma área já regular, então isso pode ter sido um dos fatores que as empresas não se interessaram de participar.

A gente também trouxe no edital possibilidades de as empresas poderem explicar a sua dinâmica e o contexto que elas querem se inserir em Goiás.

CONTEXTO/M1 NOTÍCIAS- Que outras possibilidades o DaiPlam pode trazer para tornar Anápolis mais atrativa para receber investimentos?

Nós temos agora dentro desse novo edital, não somente o foco na indústria, mas também a possibilidade do ramo logístico estar dentro do Daiaplan.

Só que esse ramo logístico a gente também vai ter maior pontuação se ele for um ramo logístico que também tem processamentos de carga, o processamento também de matéria-prima ou até mesmo dos materiais de fornecimento.

Então, o que nós queremos é gerar emprego mesmo e de uma forma mais ágil assentar essas empresas. Por isso que a gente acelerou essa criação desse edital.

Assim que homologou, a gente já no mesmo dia fechou com uma empresa que já vinha conosco em negociação, que é a Rivas Prime. Essa empresa que anunciamos recentemente, vai fazer esse investimento de quase R$ 50 milhões e, na primeira fase de implantação, contratar 140 funcionários.

Além do que, já temos outras empresas que vêm de outros editais também.

CONTEXTO/M1 NOTÍCIAS- Essa preparação de Anápolis para receber investimentos é fundamental, tendo em vista que num futuro breve teremos o fim da guerra fiscal?

LUIZ ROSA- Justamente. A nova dinâmica tributária da reforma vai tirar os incentivos fiscais. Então aquela guerra fiscal que a gente tinha, eu te tiro aqui ICMS, eu vou te reduzir aqui, será coisa do passado.

Então, como tudo vai estar centralizado agora dentro do Governo Federal, na reforma tributária que a gente tem aí o que vai mandar é a estratégia e a logística. Então, nós estamos no lugar certo, na hora certa.

O Estado de Goiás está centralizado e geograficamente muito bem posicionado. O que a gente precisa agora é deixar tudo preparado, ou seja, um ambiente propício para que essas empresas venham para cá.

CONTEXTO/M1 NOTÍCIAS- Nesse cenário, é importante também trabalhar em parceria com o município?

LUIZ ROSA- Essa que é outra vantagem. O Governo de Goiás, a CODEGO, tem parceria com o Anápolis, na gestão Márcio Corrêa, que é um parceiro fundamental. Nós temos parceria com Aparecida de Goiânia, com Catalão, Abadiânia, Silvânia, Itumbiara e todos os demais municípios.

Então, nós estamos fortalecendo essas parcerias com os municípios e os prefeitos, que estão dando o apoio naquilo que eles conseguem dar documentalmente, ou de leis, ou até mesmo de relação de manutenção dos polos industriais.

De nossa parte, a gente vai dando esse apoio, fazendo essa comunicação para poder, no final, fazer o que é o resultado bom para todos: gerar emprego e renda para as pessoas e gerar receita para os municípios. Nós vamos ganhar a guerra com todo mundo junto aqui em Goiás.

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Foto principal: Codego/Governo de Goiás