Claudius Brito – Fim de semana chegando, o sol reinando no horizonte, a juventude ansiosa pelo que fazer. E uma das coisas era pegar a estrada, com destino a Corumbá de Goiás ou Pirenópolis.
A grana era curta e a melhor opção sempre era acampar. Em Corumbá, qualquer beirada do rio era lugar para armar a barraca, colocar o som para rolar e acender a churrasqueira.
A música era rock, preferencialmente, a banda Supertramp: The Logical Song; Take the Long Way Home; Babaji. Dreamer; Give a Little Bit; Fool´s Overture; Lord is it Mine; Hide in Your Shell. E por aí vai.
Claro que rolava também um Pink Floyd e MPB. O ecletismo fazia também parte das nossas viagens, às vezes, no Fiat 147 do cunhado Ricardo.
Em uma das vezes, a aventura foi com uma turma de moto. Eu, que nunca soube pilotar um veículo de duas rodas, fui na garupa do amigo Bruno.
Em Corumbá, nos arranchamos no cair da noite, ansiosos pelo dia seguinte para as trilhas de cachoeira. Claro que rolou um churrasco, cerveja, música e muita conversa jogada fora.
Era, pode-se dizer, uma diversão “pura”. Não havia violência, todos acampados curtiam à sua maneira, respeitando os espaços.
Não tinha celular, então sobrava tempo para os casos, as risadas e as lembranças das aventuras passadas.
Em Pirenópolis, então, não se tinha a estrutura que tem hoje com mais de uma centena de pousadas e dezenas de cachoeiras.
Quando íamos à bela cidade histórica, o acampamento era liberado em uma área à margem do Rio das Almas, perto da Ponte. Havia banheiros públicos e pouco mais que isso de estrutura.
E olha que o lugar era quase sempre cheio. Muita gente acampando, com seus fogões de duas bocas e pequenos botijões de gás para fazer a comida.
Além da cidade, um dos passeios era a cachoeira da pedreira, que era liberada para se passar o dia. Por lá, também, era muita gente dividindo os espaços entre as pedras.
E o espaço na água para o banho (muito) gelado, sempre! Mas, isso também era parte da diversão.
Um tempo de boas recordações. Acampamento tinha para nós, uma espécie de significado de liberdade. E o bacana é que em Pirenópolis e em Corumbá de Goiás, a gente curtia isso com a natureza e a história presentes nessas cidades que nos acolhiam. J
ovens em busca de diversão, às vezes, faltando um pouco de juízo, mas de cabeça boa e bons corações palpitando emoções.