CRÔNICA- Vamos para a Praça…!

Claudius Brito – Nem era preciso chamar para ir na Praça. Ela estava bem de frente da nossa casa, no Centro de Anápolis: a Praça das Mães. Era abrir as janelas da frente, e lá estava ela fazendo o convite.

Um convite sempre muito bem aceito, diga-se de passagem, já que lá era o local de encontro dos amigos; o jogo de bola; os passeios e manobras de bicicleta; a brincadeira de bandeira no cair da tarde e outras mais. E, claro, sempre fugir do “Para-raio” que era o cuidador e não gostava que a gente usasse alguns pedaços do gramado.

Mas ali também aconteciam coisas muito bacanas, sobretudo, aos domingos: a feira de troca de gibis era uma delas. Uma ou duas vezes por ano tinha o concurso de pipas, quer coloriam o céu com a criatividade dos participantes.

A Praça das Mães era palco para os grandes shows da época. Vimos por lá os Demônios da Garoa, com a sua “Saudosa Maloca”; o rock irreverente de Os Incríveis. Foram vários. E, além disso, a praça era palanque para os comícios da Arena e no MDB, sempre muito cheios e com empolgação dos políticos e militantes das agremiações.

Mas, a Praça das Mães não era a única. Um pouco mais acima, perto do Hospital Evangélico Goiano, tinha a Praça “James Fanstone”, nome do médico missionário inglês que foi o fundador da unidade de saúde.

Lá tinha o coreto, onde os adultos se sentavam para engraxar os sapatos. Para nós, crianças e adolescentes na época, o que mais interessava era a banquinha de jornal que havia ali, onde comprávamos álbuns e figurinhas para formar.

Quando tinha um “dim-dim”, dava para tomar um sorvete no Bar Elite, cujas especialidades era a “vaca preta” “vaca amarela”, que era os sorvetes misturados com Guaraná ou Coca-Cola. Se tivesse um pouco mais de grana, a pedida era o Banana Split: duas ou três bolas de sorve, banana e vários recheios e doces por cima.

Ali também havia um vendedor de laranja. A gente ia lá de vez em quando comprar e o bom era ver a maquinha que tinha de descascar. A laranja ia rodando e saindo as tirinhas da casca. Modernidade!

Seguindo pela Rua Manoel D´Abadia e subindo a Barão do Rio Branco ou a Goiás, íamos à Praça Bom Jesus. Lá o passeio era mais “sofisticado”. No fim de semana funcionava a fonte luminosa. Jatos de água iluminados com lâmpadas coloridas enchiam nossos olhos de emoção. As águas pareciam dançar com as músicas.

Uma das mais tocadas era “O Milionário”, dos Incríveis (lembra da banda citada na Praça das Mães, pois era essa mesma, fazia muito sucesso).

Tinha ainda uma pizzaria “chinesa”, cuja moda da casa era uma pizza só de queijo com orégano por cima.

No Natal, a Praça ficava toda enfeitadas e as ruas com uma iluminação feita de fios trançados e lâmpadas pequenas e coloridas.

E o máximo era ir na Praça e descer pela General Joaquim Inácio e ir até à Ipanema, onde tinha muitos brinquedos e o Papai Noel que distribuía, de forma regrada, algumas balinhas.

De modo que as praças são parte de nossa história. Por isso esses espaços públicos devem ser sempre bem cuidados, porque um dia, a gente vai se lembrar dos bons momentos que o lugar nos proporcionou.