Criança feliz…!

Por Claudius Brito – Criança gosta de brincar, de rir. Não precisa de muita coisa para que a felicidade lhe seja a companhia de seu dia.

E, claro, todos nós que já fomos crianças, temos muitas lembranças desse ciclo da vida, longe das preocupações de adultos.

No meu baú de recordações da infância, não havia nada de tecnologia. Brincadeira era inventada ou aquelas que já eram conhecidas, pois passam (ou passavam) de geração em geração: pique (corrida), bet, bandeira, esconde-esconde, queimada, bolinha de gude, amarelinha, a brincadeira do elástico (que a memória falha o nome). E, claro, futebol.

De todas elas, a preferida era a bandeira, que fazíamos sempre ao final da tarde da Praça das Mães, onde a garotada se reunia. A turma se dividia em duas, colocávamos uma camisa no final do espaço de um grupo e outra, no final do outro grupo. O desafio era pegar a bandeira do adversário, sem ser pego.

Era uma farra, que entrava no começo da noite. Íamos depois para casa, felizes, vencendo ou não vencendo. O mais importante, era a brincadeira.

Mas, também havia outras coisas legais que a gente fazia na Praça. Em alguns domingos, havia uma feira para troca de gibis. A gente levava os que tinham em casa, por exemplo, uma revistinha do Recruta Zero para trocar por um Tio Patinhas ou Turma da Mônica

Além da troca de gibis, era comum na época surgirem álbuns com temas diversos: se estava próximo da Copa do Mundo, era de jogadores; mas também tinha de animais, de carros e outros.

Então, a gente ia para a Praça trocar as figurinhas repetidas que tínhamos com os outro colegas que tinham diferentes ou então jogar “apostado” no urth (escrevendo como falávamos) ou bafo, como essa brincadeira era também conhecida.

Quem não conhece essa brincadeira, é assim: cada um colocava algumas figurinhas em um monte e tirava a sorte para ver a vez de quem bateria no monte para virar as figurinhas. As que viravam eram levadas pelo batedor. Simples, mas era bem divertido.

Assim como, também, era diversão garantida soltar pipa. Lá na Praça, vez por outra, acontecia os festivais de pipas e o céu se coloria com os brinquedos voadores feitos artesanalmente.

Quando não tínhamos dinheiro para comprar o melhor papel, fazíamos de jornal mesmo, com grude (cola caseira) e varetas de bambu, colhido na baixada do Antas.

E, não dá para fechar a história sem a corrida de carrinhos. Eram de plástico mesmo e para dar um up na velocidade, a gente cortava, colocava pedras de brita e a disputa era na rampa, cada um soltando o seu “possante”.

Coisas simples, coisas boas que ficam na memória. Claro que cada qual tem seu tempo e, hoje, as crianças têm um mundo diferente de diversão. Nenhum é melhor ou pior que o outro, pois depende da intensidade que o vivemos e valorizamos.

Então fica assim…! Crianças felizes todos os dias com seus risos e brincadeiras com a magia de um tempo que vai passar, mas que nunca se apaga da lembrança.