Claudius Brito – O ex-presidente Jair Bolsonaro falou com a imprensa durante quase 50 minutos, logo após a decisão da Primeira Turma do Supremo tribunal Federal (STF) tê-lo colocado na condição de reú no processo originado com a denúncia apresentada ao Judiciário pela Procuradoria Geral da República (PGR), de tentativa de golpe.
Uma fala, diga-se de passagem, que ainda vai dar muito o que falar. Nela, Bolsonaro fez críticas ao próprio STF e, de forma mais contundente, ao ministro Alexandre de Morais. Questionou o sistema eleitoral do país e falou de sua cruzada a favor do voto impresso.
Não poupou críticas ao seu adversário principal, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e o seu partido, o PT.
O ex-presidente também defendeu a anistia para os presos de 8/1 e reafirmou que não houve tentativa de golpe.
Além de Bolsonaro, também foram declarados réus: Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor-geral da Abin; Almir Garnier, ex-comandante da Marinha do Brasil; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal; Augusto Heleno, general e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); Mauro Cid, tenente-coronel do Exército e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro; Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, general e ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, que foi também candidato a vice de Bolsonaro na eleição de 2022, quando ele busca o segundo mandato na disputa com Lula.
Votaram a favor do recebimento da denúncia os ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.
Mas, voltando à fala do ex-presidente (que não chegou a ser uma coletiva de imprensa, já que não houve abertura a questionamentos), ele ponderou o fato de como seria um golpe “sem tropa, sem armas e sem liderança”.
Citou, ainda, a reunião que ele teve com embaixadores, após uma reunião que tinha sido realizada anteriormente por ministros do STF, supostamente, com o fim de articular apoio para que o então candidato do PT Fernando Haddad, que hoje é ministro de Lula, assumisse a Presidência. Esse episódio ocorreu na eleição de 2018, conforme lembrou Bolsonaro.
Ainda lá atrás, ele citou a abertura do inquérito 1361, do qual ele que era parte envolvida só tomou conhecimento bem depois. Ele desafiou que o ministro do STF, Alexandre Morais dê publicidade a esse inquérito, de acordo com Bolsonaro, onde estaria parte da verdade dos fatos.
Na eleição de 2022, então candidato, Bolsonaro disse que a Justiça Eleitoral teria atuado em prol de Lula, não deixando que várias coisas que ele teria a mostrar fossem mostradas na campanha.
Após outra eleição, a de 2022, Bolsonaro disse que fez todos os encaminhamentos que eram necessários ao processo da transição. Depois foi para os Estados Unidos, onde estava quando ocorreu o episódio de 8/1. Disse que, nesse caso, só haveria participação direta sua “se fosse por telepatia”.
“Se eu estivesse devendo, não estaria aqui, pronunciou-se Bolsonaro”, voltando a insistir na tese da anistia. “Não quero conflito, não quero confusão”.
Enfim, foram 50 minutos de muita polêmica, como é quase uma “marca registrada” do ex-presidente.
Leia ainda: Márcio Corrêa garante que novas estruturas da saúde “em breve”