Repatriados de Wuhan: cinco anos e uma história de medo, exemplo e superação

Claudius Brito – 09 de fevereiro de 2020, 6h05 e 6h11. Foi quando os dois aviões da Força Aérea Brasileira que servem à Presidência da República, tocaram o solo da Base Aérea de Anápolis, com 64 pessoas. Dessas, 34 brasileiros repatriados de Wuhan, na China, para onde as atenções do mundo inteiro se voltavam com a pandemia do coronavírus.

Ao todo, foram 95 horas de voo desde que as equipes partiram de Brasília para buscar os brasileiros, na quarta-feira (5). No caminho de volta, os aviões saíram de Wuhan sexta-feira (7) e pararam em Urumqi (China), Varsóvia (Polônia) e Las Palmas (Espanha). Já no Brasil, fizeram em Fortaleza uma última escala antes de pousar em Anápolis. Cada um dos trechos da viagem tem aproximadamente 18,3 mil km.

A chegada na BANN foi o ápice da chamada “Operação Regresso à Pátria Amada Brasil”.

Antes, porém, muita coisa aconteceu. Devido ao temor com a doença, ainda pouco conhecida pela medicina e a ciência, não se sabia o local em que os repatriados seriam acolhidos.

Anápolis, então sob a gestão do ex-prefeito Roberto Naves, se colocou à disposição, servindo naquele momento de um exemplo de cidadania e amor ao próximo. Afinal, aqueles brasileiros não poderiam ser renegados. Mesmo porque, não se sabia se entre eles havia algum infectado. Eram homens, mulheres e várias crianças.

Dias antes da chegada, a movimentação se intensificou nos preparativos para receber os repatriados. Quase que diariamente, havia entrevistas coletivas à imprensa na BAAN. Não raro, dois ônibus cheios, com jornalistas de todas as partes do país, adentravam na unidade militar para fazer a cobertura. Havia, entre todos, receio e muita curiosidade sobre tudo que estava acontecendo, como se fosse num filme de ficção científica.

Instalações

Os Hotéis de Trânsito da Base Aérea de Anápolis foram adaptados para recebê-los. No local, os repatriados seriam obrigados a usar máscaras quando estivessem fora dos quartos. Além disso, teriam a saúde monitorada três vezes ao dia.

Durante a quarentena (que não de 40 dias) eram servidas ao grupo 6 refeições diárias: café, colação, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia (acompanhados por nutricionistas).

Além disso, havia videogame, brinquedoteca, jogos, biblioteca, apresentação de bandas militares; Internet, TV a cabo, frigobar, geladeira sem itens alcoólicos. Também acolhimento religioso; emergência odontológica e apoio psicológico e pedagógico.

A chegada

Naquele domingo, 9 de fevereiro, quando os repatriados chegavam em Anápolis, havia uma chuva fraca e o tempo parecia triste. Mas, essa aparente tristeza deu lugar para a alegria da chegada. Não houve uma solenidade grande, devido às circunstâncias da época.

Após descerem das aeronaves, repatriados e a população passaram por uma bateria de exames. E a partir dali, começa uma nova etapa.

O fim

No dia 23 de fevereiro, ao fim de 14 dias dos 18 que eram necessários ao período denominado de quarentena, foi chegada a hora de os repatriados voltarem aos seus lares, espalhados por diversas regiões do país.

Na BAAN, houve uma solenidade com dezenas de autoridades civis e militares para marcar o fim da operação “Regresso à Pátria Amada Brasil”.

Em entrevista coletiva à imprensa, o governador Ronaldo Caiado afirmou que a acolhida dos repatriados é um legado que ficaria para a história de Goiás e, em especial de Anápolis.

O prefeito Roberto Naves, na época, ressaltou que a Base Aérea de Anápolis cumpriu e sua missão e Anápolis deu ao País um grande gesto de solidariedade humana.

Durante a solenidade, muitos militares que participaram diretamente da operação não conseguiram segurar as lágrimas. Foi, de fato, muita emoção e uma lembrança que vai ficar na memória de muita gente e na história de Anápolis.

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(Com imagens da Agência Força Aérea)

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